A nova corrida do ouro na Amazônia: garimpo ilegal e violência na floresta

O CIRCUIRO ESPACIAL DO GARIMPO EILEGAL
O relatório tem como objetivo central analisar o circuito espacial do garimpo ilegal na região do Vale do Tapajós, com foco na Terra Indígena Munduruku, buscando compreender como essa atividade se organiza em termos de fluxos, redes, agentes e escalas geográficas. A proposta é evidenciar de que forma o garimpo ilegal articula produção, circulação, distribuição e consumo do ouro, ao mesmo tempo em que produz impactos territoriais, socioambientais e econômicos. Além disso, o estudo procura entender as reconfigurações territoriais e os conflitos decorrentes da intensificação dessa atividade, especialmente no contexto pós-desintrusão. No que se refere aos resultados, o relatório demonstra que o garimpo ilegal não apenas persiste, mas apresenta elevada capacidade de adaptação e reorganização espacial, mesmo diante de ações repressivas do Estado. As operações de combate, embora relevantes, mostram-se insuficientes para desestruturar os circuitos produtivos, que se reconfiguram rapidamente por meio de redes logísticas, financeiras e políticas já consolidadas. Evidencia-se também que o garimpo se tornou um elemento estruturante da organização territorial e econômica local, especialmente em municípios como Jacareacanga, gerando uma relação de dependência econômica, ao mesmo tempo em que aprofunda vulnerabilidades sociais . Paralelamente, os impactos socioambientais são significativos, incluindo a contaminação de rios por mercúrio, a degradação ambiental e o aumento de conflitos em territórios indígenas. Outro resultado importante é a constatação de que o território indígena, embora legalmente protegido, encontra-se funcionalmente integrado a redes econômicas ilegais em escala regional e global, revelando contradições entre a presença formal do Estado e sua limitada capacidade de controle efetivo. Por fim, o relatório aponta a necessidade de políticas públicas estruturais, que articulem fiscalização contínua, controle das cadeias econômicas, proteção dos territórios indígenas e construção de alternativas econômicas sustentáveis para a região.

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